Segunda-feira, 28 de Março de 2011

ONTEM COMO HOJE-POUPAI O VOSSO, NÃO MENDIGAREIS O ALHEIO

 

 

 O que escrevemos em 1978, no Jornal de Almada, sobre a poupança dos Portugueses, longe de ser utópico, continua actual. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por casaspretas às 18:07
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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

A LUTA CONTA A POLUIÇÃO. HABITAÇÕES CLANDESTINAS NA FONTE DA TELHA

 

 

 
 
 
Habitações Clandestinas na Fonte da Telha.
 
Nos princípios do presente século, pescadores da Costa e da Charneca da Caparica, começaram a frequentar a Fonte da Telha, por nas suas águas existir grande riqueza piscícola.
Neste período, os homens do mar serviam-se, num primeiro tempos, dos seus barcos para abrigo, começando, posteriormente, a construir, nas dunas arenosas, pequenas casas, de pau-a-pique, todas revestidas de estorno ou colmo.
Os anos foram passando e, por volta de 1935, fixaram-se no local, com carácter de permanência, algumas famílias de pescadores, vindas da Charneca da Caparica, às quais, em breve, se juntariam outras da Costa da Caparica, nascendo, deste modo, a povoação de pescadores da Fonte da Telha.
A partir deste momento, aqueles procuram construir habitações, relativamente mais seguras e confortáveis, surgindo os chamados “palheiros”,assentes em estacaria ou alvenaria, guarnecidos com tabuado horjzontal sobreposto, uns, com tabuado vertical com mata-juntas, outros, e cobertos a colmo. Sempre provisórios, dada a sua instalação na zona de domínio marítimo e levantados com material da terra, eles estavam, de certo modo, adaptados bis condições ecológicas locais.
Com a difusão de novos materiais de construção e a melhoria dos meios de comunicação e na ânsia de melhorar um pouco as suas habitações, os pescadoras introduziram-lhes, pouco a pouco, algumas alterações: substituição da cobertura de colmo por telha ou lusalite, do soalho térreo por cimento ou tabuado, de algumas paredes de tábuas por blocos de cimento, sem contudo, alguma vez, mudarem o local de implantação primitivo, por não serem autorizados pelas instâncias marítimas. Também abriram poço, por sua conta, junto da falésia, onde existia abundância de água, que canalizaram para suas casas.
Não se poderá afirmar que as condições higiénicos e sanitárias deste aglomerado de pescadores fossem óptimas, dada a precariedade das suas construções
Apesar disto, em virtude da sua pequenez em população (pouco mais de uma centena de pessoas) e do limitado número em habitações(cerca de 60, distribuídas por um espaço razoável), nunca se verificou, pelo menos antes do 25 de Abril, terem estado em jogo a saúde dos elementos desta comunidade, nem tão pouco, a poluição das areias e águas marítimas adjacentes.
Com a Revolução de 25 de Abril de 1974, a povoação da Fonte da Telha, constituída, essencialmente de pescadores, que ainda praticam uma pesca do tipo artesanal, foi profundamente alterada.
Desde então, em nome de uma liberdade interesseira e de uma democracia ofensiva dos interesses da colectividade, surgiram, no local, como cogumelos e como por encanto, mais de cinco centenas de construções. De material variado, provisórias e definitivas, de um ou mais pisos, estas novas habitações, levantadas clandestinamente, foram, incompreensivelmente, implantadas numa faixa de terreno, de alguns milhares de metros de comprimento, encravada entre o domínio público marítimo e o domínio publico florestal( Pinhal do Rei).
A construção deste novo aglomerado, formado por um amontoado desordenado de casas, onde está patente a imaginação criadora de cada um dos seus proprietários, veio levantar para a praia e para os pescadores da Fonte da Telha, alguns problemas e certas dúvidas sobre o seu futuro: poluição da rede de abastecimento de água e da zona litoral e a fruição colectiva dos terrenos ocupados.
Com as novas construção abriram-se inúmeros poços, cuja água passou a abastecer o novo aglomerado, facto que fez diminuir a água subterrânea e veio
portanto, prejudicar o núcleo de pescadores e as suas actividades.
Por outro, lado, surgiram centenas de “fossas” que deveriam ser sépticas, construídas sem qualquer fiscalização, muitas vezes simples drenos no terreno arenoso, que servem receptoras dos dejectos humanos e acabarão por ir parar ás camadas arenosas inferiores da praia, dado o declive existente. Aqui surge um perigo potencial de poluição, tanto da agua consumida pelos pescadores e por todos aqueles que procuram a Fonte da Telha em busca de repouso, como para as especies marinhas que habitam na zona litoral(eurolitoral, supralitoral e infralitoral).
Vejamos como: É conhecido que, na costa arenosa da zona litoral, os animais, por não terem um substrato apropriado à fixação se enterram na areia para evitar o arrastamento pelas águas. No caso concreto da Fonte da Telha, no litoral arenoso- que vai do limite da humectação ao limite da baixa-mar- vivem vários organismos marinhos, do tipo bêntíco, entre os quais se podem destacar: poliquetas tubícolas, conquilhas, caranguejos, lingueirões, cadelinhas, etc.
Estes organismos marinhos integram-se, directa ou indirectamente, nas cadeias tróficas de que o homem faz parte. Por um lado, eles constituem o zooplanton que vai servir de alimento aos peixes carnívoros de lª ordem, que, por sua vez sustentam os peixes carnívoros de 2* ordem, ambos utilizados na alimentação humana e por outro, eles são consumidos directamente, pelo homem. Também o zooplâncton se alimenta de fitoplânton- algas, líquenes, laminárias-, fazendo os dois, parte da cadeia trófica do meio marinho.
Sendo assim, no caso de chegarem ao litoral arenosos as águas poluídas e inquinadas, o que é possível na Fonte da Telha, imediatamente, teremos a poluição das espécies marinhas já descritas- fitoplânton, zooplânton e peixes carnívoros de 2ª ordem-, que servem de alimentação ao homem. Lembremo-nos das quantidades de cadelinhas, conquilhas e peixe, apanhados na praia da Fonte da Telha, quer por pescador, quer por veraneantes.
Adviriam daí consequências graves para a saúde pública e para a perda de estabilidade e rotura do equilíbrio das espécies existentes.
Também as águas dos poços, pelo excesso destes e pela proximidade das '”fossas” poderão a todo o momento Inquinar-se e provocar graves doenças a todos que dela beberem.
As pessoas ao construírem as suas habitações clandestinamente esqueceram-se dos problemas da contaminação e da poluição inerentes, como também se esqueceram que, ao fazerem a ocupação individual de tão grandes áreas, estavam, egoisticamente, a prejudicar a colectividade e o seu bem-estar, só possível num ambiente puro e equilibrado.
O caso da Fonte da Telha é um dos muitos que aflige Portugal. Mas para assegurar a sobrevivência dos nossos vindouros que tem tanto direito à vida com nós- será essencial , urgente e inadiável que se intensifique a luta contra a contaminação e degradaçáo do meio ambiente, a luta que aumente o Mundo da não violência e da tranquilidade, em que os Homens tenham uma vida cada vez mais feliz.
Mas muitos dos Portugueses, por falta de educação neste domínio, ainda não compreenderam a necessidade e a justeza deste novo tipo de luta tão vital para o futuro do mundo inteiro. Procure-se remediar o mal feito e inicie-se, imediatamente, uma grande campanha contra a poluição, que esclareça, grandes e pequenos, no campo e na cidade, aproveitando-se as técnicas modernas da comunicação.
Temos de encarar a luta contra a poluição e a degradação da Natureza- de que o grande capital tem uma grande quota parte de responsabilidade- como uma luta política, pois, a exploração e a opressão também passam por este domínio.
Uma sociedade será tanto mais justa e livre quanto menos for oprimida e sufocada por uma impura, degradada e poluída Natureza.
 
Carlos David
 
Publicado no Jornal de Almada, nº 1307, de 1 de Abril de 1977, p. 1 e 2.
 
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